Monday, October 31, 2005

A história da maior banda punk de todos os tempos



O Sex Pistols não foi uma banda como tantas outras surgidas da vontade de alguns jovens de montar um grupo musical. O expoente máximo do punk (geralmente sendo vistos como criadores do punk rock, embora isso não seja verdade) na realidade foi apenas a criação de um homem, Malcolm McLarem, pequeno empresário burguês londrino que no início da década de 70 possuia uma loja de roupas e acessórios de couro chamada Sex. Um dia, ao ser visitado pelos integrantes da banda americana New York Dolls, impressionou-se com a sua aparência estranha, logo tornando-se seu empresário. Não tendo sido bem sucedido em empresariar os Dolls (que já estavam em franca decadência), McLarem voltou a Londres com a finalidade de montar uma banda usando o padrão que havia conhecido nos Estados Unidos.

Para montar os Sex Pistols, chamou frequentadores de sua loja, Glenn Matlock (baixista), Steve Jones (guitarrista), Paul Cook (baterista). Nenhum deles era músico profissional ou mesmo músico inspirado (apenas Cook e Jones já haviam participado efetivamente de uma banda, The Strand), mas tocavam mais do que suficiente para levar adiante o projeto de Malcolm. Para ser vocalista da banda foi escolhido John Lydon (que entraria para a história como Johnny Rotten, algo semelhante a Joãozinho Podre, em virtude de seus dentes estragados). Conta a lenda que Lydon foi imediatamente integrado na banda ao entrar na loja de Malcom usando uma camisa com os dizeres "I Hate Pink Floyd" e se dispor a fazer um teste acompanhando uma jukebox.

Os primeiros shows foram fiascos completos, mas pouco a pouco conquistaram alguns seguidores e influenciaram o surgimento de algumas bandas semelhantes (Clash, Damned, Siouxie and The Banshees).

Com o lançamento do single Anarchy In The Uk em 1976 a banda explodiu para o grande público. Pela primeira vez alguém tinha coragem de ser tão agressivo ao governo inglês em público e a banda rapidamente foi adotada como símbolo da insatisfação social e crítica ao regime. Em um programa de tv que apresentava pela primeira vez ao público inglês algumas bandas punks (na realidade substituindo a banda Queen que havia cancelado a entrevista na última hora) Johnny Rotten soltou um sonoro "fuck you" ao ser desafiado pelo entrevistador a dizer algo agressivo, fato inédito para a época, que jogou as vendas de Anarchy In The Uk para as alturas e levou à demissão da banda pela conservadora gravadora EMI.

Em 1977, já com Sid Vicious no baixo (tendo Matlock sido substituído por discordância política em relação ao resto da banda) assinaram com uma nova gravadora, A&M. Presenteiam a rainha da Inglaterra em seu aniversário de 25 anos de coroação com a impagável God Save The Queen. Embora oficialmente o single tenha chegado apenas ao número 2 nas paradas, é fato notório que ele foi número 1 (as revistas britânicas achavam que noticiar isto seria uma ofensa grande demais à coroa). A A&M também não aguentou a reponsabilidade de segurar uma banda tão perigosa e novamente foram despedidos, sendo logo contratados pela Virgin.

No final de 1977 lançam o primeiro e único álbum, Never Mind The Bollocks Here's The Sex Pistols. Segue-se uma grande turnê pelos estados unidos cheia de problemas, com Sid Vicious cada vez mais chapado e não conseguindo se apresentar (a única maneira de força-lo a ir para os Estados Unidos foi sequestrar sua nova namorada, Nancy Spungen), Steve Jones e Paul Cook envolvidos em brigas frequentes e o empresário Malcolm McLarem mais preocupado com um filme sobre a banda que com a turnê. Em meio a todos este problemas a banda foi desfeita antes de voltar à Inglaterra.

Em 1978 Sid Vicious seria preso pelo assassinato da namorada (romance retratado no filme Sid & Nancy), morta a facadas em um quarto de hotel em New York. Após ter sua fiança paga pela gravadora Sid morreu de uma overdose de heroína durante a festa de comemoração à sua libertação na casa de sua mãe.

A gravadora lançou então o disco The Great Rock N'Roll Swindle juntamente com o filme de mesmo nome. O nome (A Grande Trapaça do Rock n'Roll) assumia a armação que era a banda. O material foi composto por sobras de estúdio, algumas versões inéditas das músicas do primeiro disco, algumas gravações de Steve Jones e Paul Cook com o assaltante inglês, foragido no Brasil, Ronald Bigs (feitas após o fim da banda) e algumas gravações que Sid Vicious havia feito com McLaren.

John Lydon seria o único a seguir carreira solo, com o seu Public Image Ltd (PIL).

Em 1996, aproveitando o revival da música punk gerada por bandas como Green Day, Offsprings, entre outras, Lydon, tendo desfeito seu projeto, chamou de volta Cook, Matlock e Jones para uma reedição dos Sex Pistols. Assumindo descaradamente que a volta era apenas uma maneira de ganhar mais dinheiro, conseguiram farta divulgação na imprensa e a turnê foi um sucesso.

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